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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Resenha Crítica do Filme: TEMPOS MODERNOS

Tempos Modernos: é uma história sobre 
a indústria, a iniciativa privada e a 
humanidade em busca da felicidade.
(Charles Chaplin, em frase escrita no início do filme)

SINOPSE:

     Como em todas as suas obras Chaplin aponta bastante para as situações reais do mundo em que vivemos hoje, e como sempre a história da humanidade agrega a herança e traços do passado, o filme Tempos Modernos mostra exatamente o que é o abusivo regime trabalhista, onde na época as pessoas trabalhavam muito e ganhavam muito pouco. Mostra a extrema diferença entre a classe trabalhadora e os burgueses em geral, deixando em forte evidência a exploração nas categorias operacionais das empresas. Através de exagerada carga horária de trabalho, produção apenas aumentando, e as condições subumanas a que essas pessoas eram expostas nos seus locais de trabalho. Mostra que essa luta por carga horária menor, o aumento de salário e boas condições para trabalhar não existe há pouco tempo, mas desde a Revolução Industrial. O filme salienta bastante que a exploração era grande para que a produção aumentasse, mas que o salário que essas pessoas recebiam pelos seus trabalhos muitas vezes não podia pagar o preço do produto que produziam, o que sem dúvida podia ser considerado como algo injusto. Também fala um pouco a respeito da troca de trabalho humano pelo trabalho de máquinas, onde haveriam muitos dispensados após adotarem a esse método de trabalho. O controle inflexível, mecanicista, elevou enormemente o desempenho das indústrias, todavia, igualmente gerou demissões, insatisfação e estresse para seus subordinados e sindicalistas. É um excelente filme sobre a história da Revolução Industrial retratando a abordagem básica da Escola Científica que se baseia nas tarefas, uma teoria iniciada no começo do século passado pelo Engenheiro Frederick W. Taylor teve inúmeros seguidores como Gantt, Gilbreth, Emerson, Ford e Barth. E com certeza é um filme que vale à pena assistir.


HISTÓRIA:
      Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, como se pode constatar no filme, se deu inicio imediatamente após a crise de 1929, quando a depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome.
     O tema central do filme é o esmagamento sofrido pelo indivíduo em um mundo racionalizado e a impossibilidade de sobrevivência de um espírito livre e alegre no planeta da mecanização, dos grandes negócios, da polícia - braço direito opressor do Estado.
     O personagem principal do filme é Carlitos, o personagem clássico de Chaplin, que ao conseguir um emprego em uma grande indústria, transforma-se por acaso em líder grevista, preso injustamente, acostuma-se com a vida de presidiário, quando solto conhece uma jovem, por quem se apaixona.
    O filme focaliza a vida do proletariado na sociedade industrial caracterizada pela produção com base no sistema de linha de montagem e especialização do trabalho. É uma crítica à modernidade e ao capitalismo representado pelo modelo de industrialização, onde o operário é engolido pelo poder do capital e perseguido por suas idéias subversivas.  Em vários momentos, o filme nos apresenta possibilidades de refletir sobre situações relativas ao trabalho no mundo industrial e as relações entre patrões e empregados.
     Em apenas três anos após a crise de 1929, a produção industrial norte-americana reduziu-se pela metade. A falência atingiu cerca de 130 mil estabelecimentos e 10 mil bancos. As mercadorias que não tinham compradores eram literalmente destruídas, ao mesmo tempo em que milhões de pessoas passavam fome. Em 1933 o país contava com 17 milhões de desempregados. Diante de tal realidade o governo presidido por Herbert Hoover, a quem os trabalhadores apelidaram de "presidente da fome", procurou auxiliar as grandes empresas capitalistas, representadas por industriais e banqueiros, contudo, para reduzir o grau de miséria das camadas populares. A luta de classes se radicalizou, crescendo a consciência política e organização do operariado, onde o Partido Comunista, apesar de pequeno, conseguiu mobilizar importantes setores da classe trabalhadora.

     Nos primeiros anos da década de 30, a crise se refletia por todo mundo capitalista, contribuindo para o fortalecimento do nazifascismo europeu. Nos Estados Unidos em 1932 era eleito pelo Partido Democrático o presidente Franklin Delano Roosevelt, um hábil e flexível político que anunciou um "novo curso" na administração do país, o chamado New Deal. A prioridade do plano era recuperar a economia abalada pela crise combatendo seu principal problema social: o desemprego. Nesse sentido o Congresso norte-americano aprovou resoluções para recuperação da indústria nacional e da economia rural.

     Através de uma maior intervenção sobre a economia, já que a crise era do modelo econômico liberal, o governo procurou estabelecer certo controle sobre a produção, com mecanismos como os "códigos de concorrência honrada", que estabeleciam quantidade a ser produzido, preço dos produtos e salários. A intenção era também evitar a manutenção de grandes excedentes agrícolas e industriais. Para combater o desemprego, foi reduzida a semana de trabalho e realizadas inúmeras obras públicas, que absorviam a mão-de-obra ociosa, recuperando os níveis de produção e consumo anteriores à crise. O movimento operário crescia consideravelmente e em seis anos, de 1934 a 1940, estiveram em greve mais de oito milhões de trabalhadores. Pressionado pela mobilização operária, o Congresso aprovou uma lei que reconhecia o direito de associação dos trabalhadores e de celebração de contratos coletivos de trabalho com os empresários.

     Apesar do empresariado não ter concordado com o elevado grau de interferência do Estado em seus negócios, não se pode negar que essas medidas do New Deal de Roosevelt visavam salvar o próprio sistema capitalista, o que acabou possibilitando possibilitou sua reeleição em duas ocasiões.
     Este filme é considerado um marco.  Como não poderia deixar de ser, Chaplin ainda faz pessoas rirem e faz chorar, alimenta emoções num vai-e-vem constante, como se naquele momento a vida passaria a ser uma autêntica montanha-russa, parece estar numa constante busca pelo nosso lado mais humano, parece estar tentando nos estimular a viver com maior intensidade essa nossa humanidade.
     Este filme chegou a ser proibido na Alemanha de Hilter e na Itália de Mussolini por ser considerado socialista. Aliás, nesse aspecto Chaplin foi boicotado também em seu próprio país na época do "macartismo". Mas alcançou grande sucesso na Inglaterra, na França e na União Soviética. Juntamente com O Garoto e O Grande Ditador, Tempos Modernos está entre os filmes mais conhecidos do ator e diretor Charles Chaplin, sendo considerado um marco na história do cinema. Essência a palavra para definir este filme.



AMBIENTAÇÃO / CENÁRIOS: 
     Trata-se do último filme mudo de Chaplin, que focaliza a vida urbana nos Estados Unidos nos anos 30, como se pode constatar no filme, se deu início imediatamente após a crise de 1929, quando a Grande Depressão atingiu toda sociedade norte-americana, levando grande parte da população ao desemprego e à fome. Em um primeiro momento o ator principal é um operário de uma grande fábrica, sofre uma estafa mental e em um hospital/sanatório passa por algumas intervenções médicas, curado, mas desempregado, a procura de emprego, e se depara com uma manifestação grevista e por engano é confundido como líder do protesto e vai preso, numa delegacia. No segundo momento, surge no filme a segunda personagem, a Moça - uma menina do Cais que se recusa a passar fome rouba alimentos de uma mercearia para alimentar suas irmãs. Mas Carlito se apaixona, assumindo a autoria do roubo de alimentos, voltando a ser preso. A polícia notando o erro, solta Carlito. As irmãs menores da Moça foram para um orfanato, enviadas por um juiz. E a Moça fugiu, e o espera na porta da delegacia. O operário procura emprego e consegue um como segurança em uma loja de departamentos. Logo é despedido por não ter conseguido evitar um assalto e por dormir no serviço. No entanto, consegue emprego numa outra fábrica, consertando máquinas. Durante uma greve na fábrica, Carlitos é preso mais uma vez, agora por desacato à autoridade policial. Alguns dias depois, ele é liberado e a jovem o espera na saída da prisão para levá-lo a nova casa – um barraco de madeira perto de um lago. A jovem consegue, então, emprego em um café com dançarina e arruma outro para Carlitos, só que como garçom-cantor. Os dois são um sucesso, principalmente Carlitos que, durante uma improvisação de uma música, arranca milhares de aplausos dos presentes ao café. A Polícia reaparece e eles têm que recomeçar suas vidas mais uma vez!

PERSONAGENS:
Charles Chaplin: operário, líder grevista, segurança, cantor, garçom.
Paulette Goddard: Ellen Peterson: A Moça – uma menina do cais.
Henry Bergman: Proprietário da cafeteria
Tiny Sandford: Big Bill
Hank Mann: Ladrão
Stanley Blystone: Pai de Ellen – da Moça
Al Ernest Garcia: Presidente da Electro Steel Corp
Cecil Reynolds: Ministro
Mira McKinney: Esposa do ministro
Murdock McQuarrie: J. Widdecombe Billows
Richard Alexander


FICHA TÉCNICA:

Título do filme: TEMPOS MODERNOS

Título original: (Modern Times, EUA 1936)

Direção: Charles Chaplin
Atores Principais: Charles Chaplin e Paulette Goddard.
Duração: 87 min - 1 hr 27 min
Gênero: Comédia
Ano de lançamento: 1936
Estúdio: United Artists / Charles Chaplin Productions
Distribuidora: United Artists
Direção: Charles Chaplin
Roteiro: Charles Chaplin
Produção: Charles Chaplin
Música: Charles Chaplin
Fotografia: Ira H. Morgan e Roland Totheroh
Qualidade: preto e branco
Distribuição: ContinentaL

DEPOIMENTO / CRITICA:

     É uma crítica ao sistema que ficou conhecido como Taylorismo, idealizado por Taylor e aplicado, pioneiramente, por Ford em suas fábricas de carro, que é retratado e satirizado por Chaplin em várias cenas desse filme. Marcado pela cena em que ele fica parafusando as coisas, mesmo sem ser no emprego, chega a "parafusar" os botões do vestido de uma senhora, e também a cena antológica é que ele é "engolido" pelas engrenagens da fábrica. Filme cômico, na essência, mas de forte conteúdo político e social. Já que mostra também a miséria, pobreza e desemprego do povo americano durante a Grande Depressão e também sentimental ao mostrar seu relacionamento com uma jovem órfã; comovente, contundente, profundo, atemporal e universal.

     Comparando aos tempos atuais na produção industrial, no Brasil do século XXI, 82 anos depois da estréia deste filme, a condição sócio-econômica do homem continua relegada, a segundo plano, e conforme se observa,  nota que a implantação do sistema de esteiras móveis nas fábricas, tinha como finalidade aumentar a produtividade das indústrias. Só que esse novo processo produtivo só trouxe benefícios para o proletariado e para os burgueses que a partir daquele momento tinha como principal triunfo a institucionalização do processo de mais valia. Para a classe trabalhadora foi aumentando as cargas horárias semanais, o compromisso de estarem produzindo mais e mais, além das condições subumanas em que ainda se encontram. No filme de Chaplin essa crítica se materializa com a cena do aparecimento de uma engenhoca que fosse usada pelos operários para suas refeições. Com aquela espécie de inovação, que mais deu problemas do que soluções. Nota-se a preocupação dos senhores proprietários dessas empresas e fábricas em diminuir o tempo do almoço e utilizar o tempo economizado para que os trabalhadores imediatamente voltassem ao trabalho, com a responsabilidade de aumentarem a produtividade. Naquele período, tinha-se a preocupação, por parte dos proprietários, de sempre buscarem inovações. Seria, um desafio para o homem, em busca de conhecimento para que não fossem substituídos por máquinas. Máquinas essas que teriam que ser controladas por uma mão-de-obra específica, mais qualificada, fazendo com que muitos trabalhadores, que antes usavam a força e velocidade dos movimentos das mãos, fossem dispensados. Em tempos atuais, essa mudança está quase promovendo uma revolução sempre em busca de novidades e de novos conhecimentos.

     A crise de 29 balançou as estruturas do mercado internacional, passaram a produzir excessivamente, dando origem a esta Grande Depressão. Pagaram muito caro por isso: fábricas e empresas fecharam as portas, decretaram falências e não podiam mais conduzir negócios. A bolsa de New York culminando em quedas e crises em vários países, entre eles o Brasil. Enfim, um filme que critica os modos de produção capitalistas, a ambição dos burgueses e, principalmente, as condições de trabalho em que se encontravam esses trabalhadores. Esses problemas passados ainda, em parte, se manifestam: no Brasil ainda se tem muito trabalho escravo, ainda têm empresas em que os superiores usam e abusam do lucro retirado em detrimento dos funcionários e ainda convivemos com a triste realidade dos baixos salários e ainda mais, uma grande parte da população sofre com o desemprego. Assim sendo, o proletário que luta no seu dia-a-dia por dias melhores fica cada vez excluída da sociedade, caracterizando a segregação social, sem emprego e sem perspectiva de realizar ou conquistar sua pretensão pessoal, que em muitos casos são até mesmo indispensáveis para a subsistência da população em geral.



BIBLIOGRAFIA:

LIVRO:

1.  
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. Edição compacta. 3 ed. Rio de Janeiro: Campus, 2004


INTERNET:

1.     

Disponível em www.adorocinema.com/filmes/tempos-modernos/. Acessado em: 10 mai. 2011



2.

CARVALHO, Rick. Criticas do Filme: Tempos Modernos. Disponível em: www.pt.shvoong.com/humanities/1709223-cr%C3%ADtica-ao-filme-tempos-modernos/. Acessado em Acessado em: 11 mai. 2011


3.

MACHADO, João Luís de Almeida. Tempos Modernos: Imortal e atualíssimo Disponível em: www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=95.  Acessado em: 15 mai. 2011


4.

RIBEIRO, Diogo. Disponível em: www.d10g0.sites.uol.com.br/comeco Acessado em: 14 mai. 2011


5.
RIBEIRO, Diogo. Histórico do filme. Disponível em: http://d10g0.sites.uol.com.br/historico.htm. Acessado em: 15 mai. 2011.

6.

RIBEIRO, Diogo. Biografia Charles Spencer Chaplin. Disponível em: www.d10g0.sites.uol.com.br/biografia.htm.  Acessado em: 15 mai. 2011.

 

7.

CARMO, Adilson Mello do. Um paralelo do filme tempos Modernos de Charles Chaplin com a situação atual. Disponível em: www.pt.shvoong.com/humanities/472319-artigo-um-paralelo-filme-tempos/. Acessado em: 12 mai. 2011


10.

Disponível em: www.blogdicas.com.br/resumo-do-filme-tempos-modernos/ Acessado em: 15 mai. 2011


11.

FION, José Luiz Fion Dr & SAVIOLI, Francisco Platão. Como fazer uma resenha. Disponível em: www.lucajor.vilabol.uol.com.br/resenha.htm. Acessado em 10 mai. 2011




ANEXO:

BIOGRAFIA:

CHARLES SPENCER CHAPLIN


1889 - Nasce no dia 16 de abril, às 20 horas, em East Lane, Walworth, Londres, filho dos artistas de variedades Hannah e Charles Chaplin.

1895 - Estréia no teatro, cantando Jack Jones . Participa da companhia The Eight Lancashire's Lads . O garoto treina para acrobata, mas uma queda faz com que desgoste do circo.

1896 - Hannah Chaplin é hospitalizada para tratar de uma depressão nervosa. Charles e seu irmão Sydney passam dois anos num orfanato.

1901 - Morre seu pai, vitimado de alcoolismo.

1900 a 1911 - Trabalha em diversas peças de teatro, como Peter Pan, Sherlock Holmes e O gato de botas . Vai para a companhia London Comedians, de Fred Karno, onde permanece até 1911. Viaja pela primeira vez aos EUA com a companhia de Karno.

1912/1913 - Em sua segunda viagem aos Estados Unidos, alcança grande sucesso. É contratado pela Keystone Comedy Film para trabalhar como ator de cinema pelo período de um ano, com o salário de 150 dólares semanais.



1914 - Cria o personagem Carlitos e faz diversos filmes. Entre eles: Carlitos repórter, Corrida de automóveis para meninos, Carlitos dançarino, Carlitos e Mabel assistem às corridas etc.

1915 - Assina um contrato semanal de 1250 dólares com a Essanay para todo o ano. Todos os seus filmes passam a ser escritos e dirigidos por ele mesmo. Alguns filmes desse ano: Carlitos se diverte Campeão de Boxe, O vagabundo, Carlitos em apuros etc.

1916 - Assina com a Mutual um contrato de 670 mil dólares para a realização de 12 filmes durante um ano. Alguns títulos produzidos: Carlitos no armazém, Carlitos bombeiro, Carlitos patinador, dentre outros.

1918 - Assina contrato com a First National e inaugura o seu próprio estúdio em Hollywood. Casa-se em outubro com a atriz Mildred Harris.

1920 - Divorcia-se de Mildred Harris.

1921 - Estréia O garoto e A classe ociosa.

1922 - Hannah Chaplin se junta aos filhos nos EUA e se instala em Santa Mônica.

1924 - Casa-se com Lolita Mac Murray, conhecida por Lita Gray.

1925 - Estréia de A corrida do ouro. Nasce o seu primeiro filho, Sydney Chaplin.

1927 - Divorcia-se de Lita Gray.

1931 - Estréia de Luzes da cidade.

1933 - Casa-se com Paulette Goddard.

1936 - Estréia de Tempos modernos.

1940 - Estréia de O grande ditador.

1941 - Divorcia-se de Paulette Goddard.

1943 - Casa-se com Oona O'Neill.

1947 - Estréia de Monsieur Verdoux.

1952 - Vai para a Europa. Estréia de Luzes da Ribalta.

1954 - Ganha o Prêmio Internacional da Paz.

1957 - Estréia do filme Um rei em Nova York

1962 - Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade de Oxford.

1966 - Realiza seu último filme: A condessa de Hong Kong.

1968 - Suicídio de seu filho Charles Chaplin Jr.

1972 - Recebe dos americanos o prêmio Oscar de Cinematografia.

1975 - Recebe o grau de Cavaleiro da rainha inglesa Elizabeth II.

1977 - Falece, aos 88 anos, no dia de natal.

Ana Roberta


Um comentário:

ali bloggers disse...

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